Contra a cultura do descarte

Você vai encontrar neste post:

  • Exemplo prático da ODS17 – Parcerias e Meios de Implementação;
  • Meta para o Brasil 17.17 – Incentivar e promover parcerias eficazes nos âmbitos públicos, público-privados, privados e da sociedade civil, a partir da experiência das estratégias de mobilização de recursos dessas parcerias;
  • Informações sobre o Instituto Lixo Zero Brasil


Contra a cultura do descarte

Crédito da foto: Instituto Lixo Zero Brasil

Desde 2010, o Instituto Lixo Zero Brasil trabalha para mudar a mentalidade e a forma como as pessoas se relacionam com o lixo. Liderado pelo Engenheiro Rodrigo Sabatini, a instituição sem fins lucrativos cria condições para que haja uma mudança de atitude. Essa transformação passa por muita articulação e mobilização em diferentes segmentos da sociedade em todo o mundo.

Conversamos com ele sobre sua trajetória, como mudar o olhar da sociedade para esse problema e a importância de serem estabelecidas parcerias para reduzir o envio de resíduos, aumentar a reutilização e reciclagem dos materiais.

Quando e como surgiu seu interesse pelo lixo?
Desde criança eu tinha na minha cabeça essa coisa da reciclagem, do reaproveitamento do lixo. A partir de 2004, senti a necessidade de aplicar o meu conhecimento acumulado em algo que realmente fizesse a diferença. Após estudar sustentabilidade percebi que as pessoas não davam importância para temas como eficiência energética, água da chuva, mobilidade. Não percebiam valor e não pagavam por isso. Pensei que poderia fazer as pessoas refletirem sobre o lixo, sobre a responsabilidade com o lixo e todos os outros temas que envolvem responsabilidade com o seu entorno e com o Planeta.

Qual é o grande gargalo?
Em todo o mundo, salvo pequenas exceções, tem um projeto de engenharia, um sistema para resolver o problema dos resíduos. Tudo foi desenhado sobre a premissa do saco preto (saco de lixo plástico). A sociedade toda fez um acordo que precisamos resolver o saco preto.

Primeiro veio o abandono. A pessoa jogava o saco de um lado pro outro. Aí vieram os lixões. Depois alguém decidiu cobrir com terra essa montanha de sacos pretos. Eram os tais aterros controlados. Não funcionaram porque a água contaminada estava contaminando a terra e reprimindo o gás natural gerado pelo lixo.

Bom, então vamos colocar uns canos para que o gás saia e reter essa água – assim são os aterros sanitários que também não funcionaram. Então vamos queimar tudo isso. Aí temos problemas com gases tóxicos.
Todo empreendedor vendeu como seguro, o dono da ideia disse que era uma solução e todas falharam. Eu como engenheiro estou dizendo que o lixo zero tem uma premissa diferente – evitar o saco preto e não cuidar do saco.

E qual seria o ponto de partida para a transformação na relação das pessoas com o lixo?
Estudei diferentes metodologias adotadas em diversos países e entendi que os diferentes cenários exigem diferentes soluções. Para o Brasil, criamos uma metodologia própria que começa focada na gestão de resíduos, evolui para um processo de qualidade – controlar desperdícios – uma metodologia baseada na eficiência e economia que hoje passou para uma transformação ética. O engajamento faz parte dessa discussão metodológica. Todos precisam se conscientizar sobre o seu papel e responsabilidade.

Atualmente, qual é o alcance do Instituto Lixo Zero?
Esse ano fizemos mais de 10 mil eventos. Para isso, foram necessárias mais de mil pessoas para coordenar e 20 mil pessoas para apoiar cada evento em 254 cidades brasileiras. São mil pessoas altamente engajadas que mobilizaram 20 mil pessoas. Em cada cidade o ILZB tem em média de 20 a 25 parceiros entre público e privado.

Qual a importância das parcerias neste processo?
Depois de consumir o conteúdo de uma garrafa de vidro você ainda tem em suas mãos um utensílio. Se deixar cair essa garrafa no chão ainda terá a matéria prima. Agora, no momento em que você mistura com outros resíduos você tem lixo. O Mundo todo está formatado para dar soluções ao que chamamos de lixo – para fazer esse processo referente ao lixo você só precisa de uma só empresa.
Mas quando você precisa prepara a logística, separar o orgânico do rejeito, o papelão, o plástico, metal, óleo de cozinha…aí é preciso que diferentes atores de diferentes setores entrem em ação. Imagine 100% dos resíduos separado em partes, isso é lixo zero.

Mais informações: Instituto Lixo Zero Brasil

Não descarte, encaminhe: Rodrigo Sabatini at TEDxFloripa

ODS17Parcerias e Meio de Implementação

Leia Também: Brasil desperdiça R$ 14 bilhões ao ano em materiais recicláveis

Você pode gostar...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *